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sábado, 19 de fevereiro de 2011

A passagem...

Alguém tinha acabado de abrir a porta do quintal e os faustosos galináceos exibiam-se perante os forasteiros. Mais à frente, alguém vindo da escuridão da “loja”, dispunha cuidadosamente ao sol… umas tantas espigas de milho. Foto aqui foto acolá, bom dia aqui e acolá! Dou comigo na penumbra da “loja”, rodeado de pipas e de copo na mão… o meio-dia ainda não chegou, mas uma recusa, não é bem vista nestas bandas! O meu anfitrião insistia para o acompanhar numa e mais noutra prova! … Sorte de outros companheiros de aventuras, que se fizeram aos copos…

O grupo progride serra acima, o céu manchado de branco é enganador. A paisagem pedregosa é rasgada aqui e ali por cascatas que derramam água com toda a intensidade, avistam-se pastos forrados com tapetes verdes… estamos para cá do Marão.

Recolhemos imagens e sons que acolhemos na nossa memória, para mais tarde a elas recorrer… em pleno buliço da cidade! Já no regresso da nossa jornada, voltamos a cruzar as ruelas da aldeia. Fim de tarde, o gado recolhe e cumprem-se velhas rotinas aproveitando o sol e a “passagem” pois claro!

Vida rural, dura e rotineira, celebrada com generosidade. Marcas vincadas nos gestos e rostos. Depressa chegará o dia em que os improvisados bancos ficarão vazios… sem ninguém para ver a “passagem”!

Resistirá o nosso testemunho?




domingo, 6 de fevereiro de 2011

..."Eu já o tinha marcado!"


















O pequeno grupo garrido tinha dispersado em busca de imagens para capturar. Eu tinha ficado ali, encostado, depois da conversa de ocasião com aquela mulher que carregava o seu luto e as compras da loja...
Jocosamente, alguém me dizia, vem aí mais uma das tuas velhinhas!...E vinha… caminhava lentamente na nossa direcção, amparada pela bengala e com um braçado de lenha.
Naquele fim de tarde enregelado recolhia a casa, semblante sorridente, ansiava por falar... mal a distância o permitiu. De onde vínhamos… tinha visto a irmã a falar connosco! Era de poucas falas, a irmã, “por causa da viuvez”… esclareceu!
Peço para tirar umas fotos. “Eu já o tinha marcado, lá em cima!” respondeu  anuindo!…




























domingo, 23 de janeiro de 2011

Não vale a pena senhor...

 




Dezembro de um ano qualquer, o nosso pequeno grupo de forasteiros invadira a aldeia, com as suas cores garridas. As máquinas fotográficas apontam a tudo…

Caminhava de olhos cravados no chão… esgueirava-se do grupo garrido.
Levava consigo as parcas compras feitas na “venda” local, as suas negras vestes pesavam! 
O nome ficou perdido na memória, mas não o momento. 
Entabulei conversa de ocasião, respondemos mutuamente a curiosidades circunstanciais, de onde e ao que vínhamos etc. 

Arrisquei e pedi uma fotografia… acedeu com pudor, compondo o lenço disse:
 "Oh senhor! … não vale a pena!"   e
ncarando de frente a câmara, compôs o lenço, e sorriu-me na sua pesada viuvez.
Penso comigo… se valeu! 
Parque Natural Serra Alvão, Agarez