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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Luz no cimo
Bate a luz no cimo
Da montanha, vê...
Sem querer eu cismo
Mas não sei em quê....
Não sei que perdi
Ou que não achei...
Vida que vivi,
Que mal eu a amei !...
Hoje quero tanto
Que o não posso ter,
De manhã há o pranto
E ao anoitecer...
Tomara eu ter jeito
Para ser feliz...
Como o mundo é estreito,
E o pouco que eu quis !
Vai morrendo a luz
No alto da montanha...
Como um rio a fluir
A minha alma banha,
Mas não me acarinha,
Não me acalma nada...
Pobre criancinha
Perdida na estrada !...
Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'
sábado, 28 de março de 2009
Fantasmas do Passado
Rota do Ouro Negro: Fuste -Pedrogão -Rio de Frades (Arouca)
Devido principalmente a conjunturas de mercado, as Minas normalmente encerram em situação difícil, após tempos áureos que todos se orgulham de ter vivido.
Restam então as escombreiras, as máquinas, os edifícios e os "buracos".
Fica a história geológica, a metalogénese, redescoberta em cada palmo de rocha retirado das entranhas da crusta.
Restam também (quando restam!) os arquivos de mapas, cadastros e documentos diversos da empresa que animou a actividade mineira.
Mas fica na mente de todos essa actividade exercida com sacrifício, coragem e determinação na luta contra o filão, extraindo dele o que de importante possuía.
Em Rio de Frades era o volfrâmio que se extraía...
A par deste património histórico-científico-industrial (é assim que deve ser considerado), fica a ferida do fim da actividade e mesmo do desemprego.
O denominado desenvolvimento sustentável, que permita às gerações presentes satisfazer as suas necessidades sem pôr em risco a possibilidade das gerações futuras virem a satisfazer as suas próprias necessidades, não mais se compadece com o abandono do património mineiro no fim da exploração.
A par da reabilitação paisagística, da descontaminação e da resolução dos problemas sociais, surge a preservação do património mineiro (objectos, espaços e memória) como uma nova actividades a desenvolver. Trata-se da emergência das questões do período post-mina.
A preservação de toda a informação sobre o passado do Homem, longínquo e recente, cada vez mais é considerada como um princípio fundamentador e orientador do presente e encarada como um meio potencialmente capaz de fecundar o desenvolvimento cultural e económico dos povos.
Não pode escapar a esta regra a preservação e a valorização futura de tudo o que seja espólio da actividade mineira (varias vezes milenar) que ocorreu no nosso País.
Há em cada Mina encerrada algo invulgar da actividade do homem que deve ser preservado a todo o custo.
E em primeiro lugar para benefício local, contribuindo (num futuro mais ou menos próximo) para ajudar a sarar a tal ferida que naturalmente se abriu com o encerramento da actividade mineira.
E isto porque o carácter particular da actividade mineira e o orgulho que mais ou menos todo o mineiro teve da sua actividade são mais reais do que se possa imaginar.
Esta tarefa é enorme e urgente.
Enorme porque pouco foi feito até ao momento.
Urgente pois cada dia que passa mais património fica irremediavelmente perdido.Nesta tarefa todos podemos participar.
Texto gentilmente cedido pelo autor : o meu bom amigo Alexandre.
Extracto de "Memórias Mineiras: O passado identificado no presente e como referência para o futuro"
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