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domingo, 17 de agosto de 2014

Caminhar em frente...


Distante no espaço e no tempo, o meu caminho segue em frente.
As pernas ainda só carregavam o peso dos cerca de 50km, dos 480Km do caminho. Neste segundo dia, o trilho tinha subido bastante, mas a linda paisagem desdobrava-se perante o olhar! A cumeada da montanha deixava vislumbrar lá no horizonte Nascente, o brilho acetinado de picos com neve. 

O mapa diz que o primeiro albergue está a poucos kms. Alcançado, reconhecemos de imediato caras morenas e sorridentes de companheiros deste caminho, refugio simples apoiado por uma “bar” nas imediações, ainda tem muitos lugares livres… mas o objectivo daquele dia era mais à frente uns 6 km. 

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La Mesa, o aviso no guia era suficientemente claro para aquela aldeia de destino. Pequena e esquecida, com os seus 18 habitantes, na berma de um Caminho. …“Por su altitude y emplazamiento, suele hacer un frío notable (sobre todo por las noches), incluso en verano”
Atingida a pequena aldeia e eis que, linda e de deslumbrante tranquilidade, uma magnífica ermida aninhada à sombra de um gigantesco plátano nos recebe na vizinhança do albergue, onde Guillaume já acenava! Este peregrino francês iniciou a sua caminhada em Montluçon (França) e era já um simpático companheiro desde a primeira etapa. 

Aos poucos e poucos, ao “nosso” refúgio foram chegando caras novas e outras conhecidas. Para todos tinha sido um dia longo…. A aldeia não dispunha de qualquer apoio, assim e dentro de portas, cada peregrino tratou do seu jantar… já que lá fora e com o pôr-do-sol tinha chegado um vento muito fresco! Com frio e cansados todos acabam por recolher. Uns liam, outros jogavam às cartas e até havia quem tivesse o rosto iluminado pelo seu i-pad.  
Fizemos chá, oferecemos bolachas e mais apareceram de outras mochilas. Uns aceitaram de bom grado… outros hesitaram. A conversa aqueceu aquele início de noite.
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 O simpático Guillaume dizia que não queria chegar a Santiago!... A “Inglesa” solitária e excêntrica, afinal tinha iniciado a sua caminhada logo á porta de casa….em Londres. O simpático e misterioso Boris, Russo tinha voado de S. Petersburgo e andava maravilhado com as paisagens, o quase adolescente e de ascendência hispânica Jonathan, e o gentil gigante Brian tinham vindo dos EUA, aliás Brian fazia questão de afirmar que vinha do Estado de Montana onde, segundo ele, existiam mais vacas do que homens!… E ainda o distante Neo Zelandês que, enroscado no saco cama, continuava a dormir. 

A conversa prolongou-se um pouco mais, partilharam-se os poucos víveres disponíveis e o chá quente, foi afinal abençoado por todos em volta daquela mesa de nações unidas do Caminho. Apesar do tempo, ritmo e objectivos individuais.

Distante no espaço e no tempo, relembro aqueles momentos simples de partilha de caminhos cruzados. 
Ainda sem respostas, quis o destino que o meu caminho fosse em frente.

(Sight -07/2014) 


domingo, 8 de junho de 2014

Equivalência das janelas



Descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência.

In Memórias Póstumas –Machado Assis









sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Vou-me afastando


(...)

É só poeira
Da caminhada que eu já fiz
Vou-me afastando
Do sonho aonde eu fui feliz
Ando perdido
Como um amante sem lugar
A vida acaba mesmo sem antes começar
Aqui





domingo, 24 de novembro de 2013

Aquela árvore



Aquela árvore, altiva e imponente,
Irradia a serenidade da idade que não mente.
A pequena ermida recolhe-se naquela companhia secular,
À luz do fim de tarde, que espalha seus tons de fogo pelo ar.

Aqui se cruza o caminho, com o verbo do sonho,
Na lonjura de um horizonte para contemplar.
Fica aqui o verbo acreditar,
Leitura enraizada daquele sonho.

Sigh