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sexta-feira, 14 de março de 2014

Tens sol.

































Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
Mas finge sem fingimento.
Nada esperes que em ti já não exista,
Cada um consigo é triste.
Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,
Sorte se a sorte é dada.


Ricardo Reis, in "Odes"

Sugestão musical u Sting - Shape Of My Heart






domingo, 2 de março de 2014

Escolher a Felicidade




Nem paz nem felicidade se recebem dos outros nem aos outros se dão. 
Está-se aqui tão sozinho como no nascer e no morrer; como de um modo geral no viver, em que a única companhia possível é a daquele Deus a um tempo imanente e transcendente e a dos que neles estão, a de seus santos. Felicidade ou paz nós as construímos ou destruímos: aqui o nosso livre-arbítrio supera a fatalidade do mundo físico e do mundo do proceder e toda a experiência que vamos fazendo, negativa mesmo para todos, a podemos transformar em positiva. Para o fazermos, se exige pouco, mas um pouco que é na realidade extremamente difícil e que não atingiremos nunca por nossas próprias forças: exige-se de nós, primacialmente, a humildade; a gratidão pelo que vem, como a de um ginasta pelo seu aparelho de exercício; a firmeza e a serenidade do capitão de navio em sua ponte, sabendo que o ata ao leme não a vontade de um rei, como nos Descobrimentos, mas a vontade de um rei de reis, revelada num servidor de servidores; finalmente, o entregar-se como uma criança a quem sabe o caminho. De qualquer forma, no fundo de tudo, o que há é um acto de decisão individual, um acto de escolha; posso ser, se tal me agradar, infeliz e inquieto.



Agostinho da Silva, in 'Textos e Ensaios Filosóficos'







sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Vou-me afastando


(...)

É só poeira
Da caminhada que eu já fiz
Vou-me afastando
Do sonho aonde eu fui feliz
Ando perdido
Como um amante sem lugar
A vida acaba mesmo sem antes começar
Aqui





sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Horizonte



Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança... 
E venha a morte quando 
Deus quiser. 

Dantes, ou muito ou pouco, 
Sempre esperara: 
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco 
Voava das estrelas à mais rara; 
Outras, tão pouco, 
Que ninguém mais com tal se conformara.


José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo' (excerto)






sábado, 15 de outubro de 2011

A Palavra Mágica



A Palavra MágicaCerta palavra dorme na sombra 
de um livro raro. 
Como desencantá-la? 
É a senha da vida 
a senha do mundo. 
Vou procurá-la. 

Vou procurá-la a vida inteira 
no mundo todo. 
Se tarda o encontro, se não a encontro, 
não desanimo, 
procuro sempre. 

Procuro sempre, e minha procura 
ficará sendo 
minha palavra. 

 By Carlos Drummond de Andrade

domingo, 6 de setembro de 2009

Contemplo o que não Vejo












Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.
Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.

Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"





























quinta-feira, 21 de maio de 2009

Caminho do Norte -Dia 5



08/04/09 Dia 5 Sobrado – Arzua (22Km)

Tal como um ribeiro que desagua no rio e por fim no mar, o Caminho do Norte encontra-se com o Caminho Francês em Arzua. A partir desta localidade a torrente peregrina aumenta consideravelmente para pouco depois, exausta e serena, desaguar em Santiago na Catedral.

7.30h, hora local, Claustro dos Peregrinos, pose para o retrato do grupo. Prontos para mais um dia nesta caminhada, que dia após dia nos aproxima de Santiago. A etapa de hoje ruma até Arzua, cujo albergue estatal tem lotação para cerca de 100 peregrinos… nós queríamos constar da lista!

Conscientes e condicionados pela lotação do albergue, partimos cedo, sob um céu de chumbo. Consoante o destino de pernoita escolhido, os diversos grupos de peregrinos apertam o passo. Ficamos a saber que o grupo de Málaga, os Alemães e ainda os Madrilenos, vão também rumar até Arzua. O Madrileno, Pablo (pai) vai esperar pela abertura das lojas para comprar umas sapatilhas (amaldiçoa constantemente as suas botas “catitas” que adquiriu em Madrid...pouco antes de partir!)…. Combinamos que o primeiro a chegar ao albergue, tentaria reservar lugar para os restantes.

O trajecto do caminho, afasta-se de Sobrado, serpenteando por zonas rurais, com as torres do hospitaleiro Mosteiro a ficarem cada vez mais lá para trás, perdidas entre os bosques, seguem-se uma série de subidas até á localidade de Castro. Aos poucos a paisagem que nos envolve, torna-se mais urbana, as estradas são cada vez mais frequentes. Caminhamos com o ritmo possível, pés músculos, joelhos, costas…tudo se manifesta! As longas subidas e descidas são penosas, irritantes! Fruto das diferentes limitações e naturalmente, mais uma vez os vários grupos dispersam conforme o seu andamento. A nossa “lebre maratonista”, Seabra, “estava como o aço”…apertou o passo e desapareceu pouco a pouco no horizonte…com a missão assegurar dormida para todos, como combinado.
O Lobo e eu caminhamos horas sozinhos, sorriamos perante as mensagens e sinais que o nosso companheiro nos ia deixando marcado no chão…fazíamos o mesmo para o Nuno, que caminhava mais atrás com os peregrinos espanhóis. Apesar da determinação em chegar a “tempo”, o percurso foi apreciado, com toda a sua envolvência…como que uma despedida dos tranquilos caminhos florestais e estradas solitárias. O tempo apesar de ventoso e frio ajudava, com grandes e solarengas abertas….mas o nosso “passeio”chegou ao fim, a cerca de 6 km de Arzua, com o início de uma “diabólica” subida até uns depósitos de água…onde chegamos ofegantes!
Logo na entrada deste município, deparamos com uma feira, repleta de vendedores de polvo grelhado, à galega…e tantos outros petiscos! De vieira em vieira, fomos conduzidos até ao albergue, uma casa antiga recuperada. O Seabra esperava-nos ansioso…não eram permitidas reservas!... Embora, quando chegamos ainda havia cerca de 20 camas disponíveis… mas a afluência de peregrinos era enorme, receamos pelos restantes peregrinos, que connosco tinham saído de Sobrado!.. Esperamos, esperamos…e quando a lotação estava quase esgotada, fomos assegurar a dormida para todos numa pequena pensão.

Arzua rapidamente foi inundada por peregrinos, com as mais diversas indumentárias técnicas ou improvisadas, de todas as idades e nacionalidades. Deslocavam-se a pé, de bicicleta e até a cavalo! Cordialmente trocam-se experiências e testemunhos vivos do Caminho, como a do empresário de sucesso que faz todos os anos o Caminho Francês na companhia de 2 amigos, do peregrino com mais de 70 anos que o faz pela sétima vez…do enorme grupo de estudantes de Madrid que o fazem pela primeira vez…todos eles peregrinos com o rosto marcado pelo Caminho.
A notícia que o Nuno estava perto mas em dificuldade, chegou pelo telemóvel, (objecto só para ser usado em emergência) de imediato o nosso maratonista Seabra (sempre fresco!) foi ao seu encontro.

No meio do fluxo crescente de peregrinos, não conseguimos o contacto com os espanhóis, apenas com os peregrinos alemães. Assim, para alegria de outros, acabamos por ceder os nossos lugares no albergue estatal…e mudamos as nossas tralhas para os confortáveis quartos da pensão…um mimo que não se podia desperdiçar!

Já com o Nuno "recuperado", este nosso grupo "tuga" foi retemperar as forças, pois que a alimentação deste dia tinha sido muito frugal.
Após o jantar quis o destino, que deparássemos com os “nossos” peregrinos espanhóis entretanto extraviados…tinham conseguido lugar in extremis numa pensão tipo albergue, sobrelotada e acanhada. Pablo (pai) continuava a caminhar com muita dificuldade, Maria e Mónica (Málaga), pareciam também exaustas…enfim todos estávamos exautos! O dia tinha sido longo e duro, mesmo assim o reencontro foi efusivamente celebrado!

Afinal tínhamos cumprido mais uma etapa deste caminho…todos tinham um tecto para se abrigar da noite que caía fria e com nuvens ameaçadoras.

Estávamos agora em plena torrente humana, que é o famoso Caminho Francês, com Santiago a 39.5 Km!

domingo, 17 de maio de 2009

Caminho do Norte -Dia 4



7/04/09 Dia 4: Miraz- Sobrado (21Km)

Estamos no quarto dia de caminho, Terça, 7 de Abril -7Horas. Manhã fria, ainda em “ silêncio”, o ruído familiar da preparação das mochilas …faz acontecer o despertar quase uníssono no dormitório em Miraz!

Na cozinha, as duas anfitriãs do albergue Rakel – (EUA) e Miria (Espanha), qual duas “fadas do Caminho”, já tinham preparado café, leite quente e pão fresco com deliciosas compotas caseiras! Proporcionando assim aos peregrinos um memorável pequeno-almoço comunitário e bem disposto! Um gesto samaritano simples e bem-vindo! Gracias!

Apesar de gestão privada, este albergue cobra apenas um donativo livre, à semelhança da antiga tradição dos albergues Jacobinos. Actualmente os albergues oficiais tem um “preço fixo” de 3 Euros (!) e fornecem um lençol e fronha descartáveis.


8 horas e já estávamos a “tirar o retrato” habitual, para nos pormos em marcha… Curiosamente os pequenos grupos de peregrinos atravessaram a pequena aldeia em simultâneo, passam obrigatória pela capela de Santiago de Miraz e saudando alegremente os habitantes locais. objectivo comum deste dia era Sobrado dos Monxes, mais propriamente o Albergue do Mosteiro de Sobrado, a cerca de 21Km de distância!

O céu prometia um dia idêntico ao anterior com aguaceiros e abertas alternadas!... O trajecto sobe, primeiro por um duro e traiçoeiro caminho de montanha, onde é preciso estar atento para não nos perdermos… e depois por pequenas estradas rurais.

Pouco a pouco e naturalmente os peregrinos foram dispersando, consoante o ritmo individual da caminhada. Caminhar mais rápido, para chegar cedo…caminhar com quem queremos… ou com quem necessita de companhia e alento? Decisões do Caminho!

Voltam as paisagens verdes dos pastos, salpicados pelo gado. Cruzamo-nos com um peregrino Inglês que caminha à 30 dias, desde Irun, comovido, anuncia-nos antecipadamente o seu abandono do Caminho, em Sobrado…esgotou o tempo que tinha disponível, tem que regressar ao trabalho! Caminhava já mecanicamente, muito lento… também Pablo (pai) se queixa bastante de um pé… Enfim todos temos, as nossas mazelas, há que ser forte e seguir em frente!

Subitamente ouvem-se os sinos… logo a seguir deslumbra-se por entre a paisagem, as torres sineiras do mosteiro! Os últimos kms desta penosa etapa, são assim feitos com o mosteiro no horizonte…contornado um tranquilo lago, alcançamos, por fim Sobrado dos Monxes!

Esta localidade cresceu envolvendo o mosteiro da ordem de Cister cuja origem remota ao século X. Este magnífico mosteiro será o nosso local de pernoita, pois o albergue, para 66 pessoas, está localizado num dos claustros, cabendo a sua gestão aos seus monges.

Revemos novamente os nossos companheiros peregrinos de Baamonte e Miraz, que nos recebem efusivamente. Recepção simpática e eficiente do monge de serviço aos peregrino, tempo ainda antes do recolher monástico, para conhecer um dos dois monges portugueses deste mosteiro.
Seguiram-se as nossas habituais sessões de curativos, agora também com serviço internacional, com o pé do Pablo, completamente inchado, a ser todo ligado, procedimento supervisionado por duas peregrinas e enfermeiras profissionais! O que me valeu o apelido de “el curandeiro portugues” .

Na cozinha deste característico albergue, os peregrinos que tinham partido connosco de Miraz, partilharam um alegre e sussurrante serão, com suculentos e improvisados petiscos… entre eles a enorme empanadilla que eu transportava desde Miraz…

Este albergue é certamente um dos locais mais emblemáticos deste Caminho, talvez por ser o último abrigo tranquilo antes de Arzua, já que aí confluem 3 grandes Caminhos, o do Norte, o Francês e o Primitivo. Com Santiago ali tão perto…os vários grupos de peregrinos, avaliando o estado anímico dos seus membros, trocavam informações, delineavam estratégias adequadas à sua situação. Todos estávamos conscientes, que este seria provavelmente o ultimo serão em comum antes da “confusão” que antecede Santiago. Entre estes companheiros de caminho, fizeram-se as despedidas “oficiais”, desejos mútuos de “bueno caminõ”, em alemão, inglês, espanhol..portugues!

Sendo a etapa seguinte, até Arzua, com 19km, entre alguns grupos, há quem decida tentar chegar a Santa Irene, um albergue a cerca de 35 kms, para assim “poupar” um dia de caminho…

Santiago estava a cerca de 60Kms… lentamente km após km, tínhamos avançado, uma vitória em cada passada! Claro que esta vitória pode ser mais ou menos intensa para cada peregrino, certamente proporcional ao seu esforço.

Uma vitória conquistada passo a passo!

domingo, 10 de maio de 2009

Caminho do Norte -Dia 3



6/04/09 Dia 3: Baamonte -Miraz (20Km)


Confirmando as ameaças ao fim do dia anterior, o novo dia amanheceu cinzento e chuvoso!... Foto, para mais tarde recordar…mochilas às costas, ponchos colocados e outras coisas que tais…e ao caminho!

O destino é Miraz, uma pequena aldeia com um albergue, com lotação apenas para 14 pessoas, e diga-se o único das redondezas! Não à muitos anos, esta era a “travessia” mais longa e dura do Camino del Norte. Uma vez que o albergue de Miraz não existia, obrigando os peregrinos a palmilhar 42Km, através de caminhos de montanha, até ao mosteiro de Sobrado dos Monxes.

Mas voltemos a Baamonte, debaixo de uma chuva tímida, ainda visitamos a igreja local, com um calvário e uma mística e enorme árvore oca, com o interior curiosamente talhado com imagens, textos etc. Continuando a seguir os marcos com as vieiras (“mojón” em galego) …Alguns kms á frente o caminho atravessa mais uma linda ponte medieval e logo mais à frente, passa, desde à séculos junto da a capela de San ALberte, datada do séc XIV. Os “mojon” jacobinos fazem-nos avançar através de uma magnífica e cerrada floresta de carvalhos…indiferentes aos intensos chuveiros, desfrutámos a frescura do aroma que a floresta emanava.

Entregues aos nossos pensamentos, ora caminhávamos acompanhados ou sozinhos, fruto do ritmo de andamento de cada um dos peregrinos. É necessário dar espaço a quem caminha mais rápido e acompanhar quem tem o nosso ritmo, não descuidando quem vem mais atrás!

Cada dia que passa o corpo contabiliza, acumula a kilometragem já efectuada. Em cada manhã, partimos conscientes das nossas mazelas…e com o recôndito receio de não conseguir completar mais esta etapa…mas também com o indizível e crescente querer chegar a Santiago! Caminhamos assim cada um com o seu fardo. Aos nossos companheiros de Caminho, resta a vigilância e o apoio incondicional.

O sol acabou por se mostrar aqui e acolá…aquecendo um pouco o caminho que persistia em subir e atravessar frondosas e cuidadas florestas através de uma zona pouco povoada. Numa das paragens para tentativa de “abastecimento”, travamos conhecimento com Pablo pai e Pablo filho, divertidos peregrinos de Madrid (…dos restantes peregrinos, nem rasto!). Neste bar, ao nosso pedido de uns “bocadilhos” (sandes), obtivemos como resposta “comidas aqui no...solo bebida!”…conformados, pedimos um copito, que veio acompanhado de queijo e pão (!). Para maior surpresa, a rodada foi gentilmente oferecida por um dos clientes, com um brinde aos peregrinos Portugueses! Gente simpática…

Sem possibilidade de abastecimento e com Miraz perto, a nossa “lebre” maratonista Seabra, partiu para assim, assegurar uma noite descansada para os quatro, no pequeno albergue. Algum tempo depois entravamos pois em Miraz, sob intensos e frios chuveiros de saraiva e por fim o albergue, que nos pareceu fantástico, com um acolhedor fogão a lenha!

O albergue de Miraz é gerido pela Confraternity of Saint James, com sede em Londres. O apoio permanente aos peregrinos é assegurado por voluntários, que se revezam.

As dificuldades desta etapa pareciam ter animado a moral dos peregrinos, tal era a animação e convívio, entre os vários grupos de peregrinos, das diversas nacionalidades. Reunidos na acolhedora cozinha, cada grupo foi confeccionando a sua refeição. Destaque para o nosso “caldinho de couves”, que teve estreia internacional, com os peregrinos Alemães a servirem-se e a "rapar" as suas tigelas!

Já ao cair da noite, chegaram, cansados e encharcados, mais quatro peregrinos, um casal de Madrid e mãe e filho de Mondonedo. Por este grupo ficamos a saber que os dois Finlandeses tinham desistido e voltado para trás…

Após um pequeno e divertido serão, ao som da chuva que continuava a cair lá fora. Neste lotado dormitório, aconchegamo-nos dentro dos sacos cama, fazia frio e bastante humidade, contrastando com os anteriores albergues. Depois deste duro, mas belo dia, rapidamente adormecemos, dando início à famosa sinfonia roncadora dos albergues!

Estávamos a 88Km de Santiago!

domingo, 3 de maio de 2009

Caminho do Norte -Dia 2



5/04/09 Dia 2: VillalbaBaamonte (19Km)

Os dias começam cedo, para os peregrinos….mas o grupo de Málaga, arrancou mais cedo do que o nosso!...Depois da foto de grupo, para mais tarde recordar, tendo como cenário o Albergue de Vilallba, retoma-mos a nossa rota, desta vez rumo até Baamonte, neste Caminho até Santiago.

O trilho marcado pelas vieiras, atravessa o centro histórico de Villalba, onde se destaca a torre medieval dos Andrade… que actualmente alberga um dos famosos “paradores”. Ainda no centro histórico um simpático ancião, conduziu-nos através das ruelas, até ao caminho certo, pois uma das indicações tinha sido danificada, o que nos fez hesitar várias vezes.

Cada vez mais distantes desta localidade, encetamos uma descida, para mais tarde subir, subir penosamente até San Xoan de Alba. Sob um sol radioso, voltamos aos trilhos das antigas estradas reais, quase sempre ladeados por sebes e que serpenteavam por entre uma paisagem essencialmente de pastos, atravessando pequenas aldeias, algumas em ruínas… evidência que, também por aqui, o êxodo rural acontece…

As pontes medievais marcaram a sua presença, na travessia dos rios e ribeiras. Porém, entremeando o nosso caminho, aqui e acolá, percorremos alguns km ao longo de pequenas e nada movimentadas estradas…excepção para uma ou outra travessia da N-634. Neste avanço do asfalto, o nosso caminho “foi cortado” por uma auto estrada em construção em fase de terraplanagem, o que nos provocou alguma hesitação, até retomar-mos o rumo certo.

Fomos gozando do tempo magnífico que se fazia sentir e desfrutando a paisagem, o silêncio e quietude que estas paragens nos proporcionavam.

A localidade de Baamonte foi finalmente alcançada onde nos esperava um simpático e confortável albergue. Perante o aparecimento de bolhas nos pés do Nuno, foi inaugurado o “ritual curandeiro”, tratamento diário de bolhas e dores musculares que teimavam em se manifestar.

Estratégicamente, aliviamos a carga das mochilas...com uma jantarada, confeccionada na cozinha partilhada com os outros peregrinos. Este albergue acolhia já outros grupos de peregrinos: os já nossos conhecidos 4 de Málaga, 2 Alemães que tinham iniciado o Caminho em Bilbao (!!!!) e 2 Finlandeses que iniciaram o seu percurso em Ribadeo.
Foi um serão agradável, trocamos informações e experiências.

Todos partimos com diferentes motivos, unidos agora pelo Caminho, todos com o mesmo objectivo... chegar a Santiago!

domingo, 26 de abril de 2009

Caminho do Norte -Dia 1



3/04/09-Dia 0: Porto- Santiago de Compostela
Mosteiro de Leça Balio (Matosinhos), secular passagem de peregrinos em direcção a Santiago. Foi este o local escolhido para a nossa partida. Nós: ZéCarlos, Seabra, Lobo e Nuno, os peregrinos.
Entregues as imprescindíveis credenciais, bem como o nosso "caderno do Caminho", lida uma "oração do peregrino", carinhosamente enviada por uns amigos... que nos fizeram a surpresa de nos darem um abraço antes da partida (obrigado Mário e Manuela!)

A Casa das Iscas estava ali tão perto... fomos lá "selar" este encontro. Com as pataniscas ainda em digestão, rumamos nas viaturas até Santiago, de carro, mais propriamente ao espectacular Albergue de San Lazaro, onde pernoitamos.



4/04/09 Dia 1: Abadín - Villalba (24Km)
Ansiosos, saímos cedo do Albergue, tínhamos ainda que nos deslocar até Abadín (Lugo). Nesta localidade demos inicio ao nosso Caminho, tomando assim consciência do peso da mochila…. Encontrado o primeiro marco, indicava 141,784Km... a distância que nos separava de Santiago.
O tempo estava ameno... as paisagens muito verdes, fomos sendo conduzidos de vieira em vieira, por lindíssimos caminhos rurais, ladeados de sebes arborizadas que chegavam a fazer “túneis”.

As pequenas aldeias e localidades sucederam-se sem percalços, primeiro Ponte terroxal sobre o rio Arnela, depois CastroMaior com a ponte medieval de Pontevella, seguem-se as localidades de Mámoa e Outerio. O curioso cemitério neogótico assinala Santiago de Goiriz, depois segue-se Chouzas e finalmente Villalba, onde chegamos com um vento fresco! Tinhamos feito esta etapa sozinhos, sem nos cruzarmos com mais peregrinos.

O Albergue de Villalba fica situado cerca de 3 kms antes da cidade. Trata-se de uma construção moderna, instalações óptimas, distribuídas por 3 pisos. Ainda "fresquinhos" fizemos uma incursão ao centro da cidade, para abastecimento alimentar e ainda para jantar. Fomos surpreendidos por um evento na praça principal... com provas de queijos, e que queijos!!! Não fosse Villalba a terra do queijo San Simón.

Sempre muito simpáticos, fizeram questão que estes peregrinos lusos, provassem este, aquele, e mais aquele outro.... Enfim depois de uma barrigada de óptimos queijos, fomos jantar o menu do dia... tendo ficado de olho um polvo "à galega" que estava a ser confeccionado à porta de um restaurante…por acaso por um português, de Lisboa, por aqui imigrado!
Feitas as compras, atestado o nível de colesterol e canã... lá palmilhamos lentamente os 3 Kms de regresso ao "nosso" Albergue, onde nos deparamos com outro grupo de 4 peregrinos. Tinham chegado de Málaga, para aqui iniciar o seu Caminho. Desde logo trocamos informações, num idioma algures entre o português e o espanhol!

Na Estrada
de Santiago…

Carreiro
Deserto
Tão longe
E tão perto
Anseio
Secreto
Encontro
Mais certo

Caminha
Na estrada
De Santiago
Na estrada
Marcada
Por tanto passo
Ao longo
Dos séculos
Passaram
Milhões
A vista
Cansada
De tantas
Paixões
Percorre
A estrada
De Santiago
Estrada
Marcada
Por tanto passo
E como
Se sente
Tão
Acompanhado
Se não vê
Mais gente
Nem tem
Ninguém ao lado
Caminha
Na estrada
De Santiago
Na estrada
Marcada
Por tanto passo
(by Madre de Deus)

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