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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Caminho ao longo dos oceanos frios


Na luz oscilam os múltiplos navios
Caminho ao longo dos oceanos frios

As ondas desenrolam os seus braços
E brancas tombam de bruços

A praia é lis e longa sob o vento
Saturada de espaços e maresia

E para trás fica o murmúrio
Das ondas enroladas como búzios.


Praia by Sophia de Mello Breyner





domingo, 27 de abril de 2014

Recordar...




A vida de uma pessoa não é o que lhe acontece,
mas aquilo que recorda e a maneira como o recorda.

by Gabriel García Márquez

Sugestão musical  Bach, Cello by Yo-Yo-Ma


sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Saturação da Servidão




A Saturação da Servidão

Hoje estão em causa, não as paradas, que é tudo em que as multidões são adestradas, ou a guerra, a que se convidam; está em causa toda uma dinâmica nova para criar o habitat duma humanidade que atingiu a saturação da servidão, depois de há milénios ter dado o passo da reflexão. As pessoas interrogam-se em tudo quanto vivem. A saturação da servidão não é uma revolta; é um sentimento de desapego imenso quanto aos princípios que amaram, os deuses a que se curvaram, os homens que exaltaram. (...) Mas foi crescendo a saturação da servidão, porque a alma humana cresceu também, tornou-se capaz de ser amada espontaneamente; tudo o que servimos era o intermediário do nosso amor pelo que em absoluto nós somos. Serviram-se valores porque neles se representava a aparência duma qualidade, como a beleza, o saber, a força; esses valores estão agora saturados, demolidos pela revelação da verdade de que tudo é concedido ao corpo moral da humanidade e não ao seu executor.

Um grande terror sucede à saturação da servidão. Receamos essa motivação nova que é a nossa vontade, a nossa fé sem justificação a não ser estarmos presentes num imenso espaço que não é povoado pela mitologia de coisa alguma. Somos novos na nossa velha aspiração: a liberdade é doce para os que a esperam; quando ela for um facto para toda a gente, damos-lhe outro nome.

Agustina Bessa-Luís, in 'Dicionário Imperfeito'

sábado, 3 de dezembro de 2011

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Lenta, Descansa


Lenta, descansa a onda que a maré deixa.
Pesada cede. Tudo é sossegado.
Só o que é de homem se ouve.
Cresce a vinda da lua.
Nesta hora, Lídia ou Neera Ou Cloe,
Qualquer de vós me é estranha, que me inclino
Para o segredo dito
Pelo silêncio incerto.
Tomo nas mãos, como caveira, ou chave
De supérfluo sepulcro, o meu destino,
E ignoro o aborreço
Sem coração que o sinta.

"Lenta, Descansa" by Ricardo Reis

domingo, 10 de janeiro de 2010

Revolta do mar





«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»

Eça de Queirós in As Farpas (1871)
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Tardes de um Outono







A Poezia do Outomno
Noitinha. O sol, qual brigue em chammas, morre
Nos longes d'agoa... Ó tardes de novena!
Tardes de sonho em que a poezia escorre
E os bardos, a sonhar, molham a penna!
.../...
António Nobre, in 'Só'
(Excerto)
 
Fotos realizadas numa recente tarde de Outono, junto ao majestoso Farol de Leça da Palmeira (Matosinhos). Neste local encontra-se implantada uma homenagem a António Nobre, composta por uma estátua do poeta e ainda duas figuras (musas?) que o contemplam.
Mais à frente, junto ao mar e "encaixada" nas rochas,  a Casa de Chá, uma das obras assinadas pelo Arq Siza Vieira.


...Um recanto com horizonte profundo para diluir as agruras.

Faço destas imagens um pequeno tributo de amizade, a quem "anonimamente" anima a blogosfera.
Aos blogues que iluminam a blogosfera, aos "bardos" que nos afagam as "mazelas" com a sua escrita, a quem nos apoia com o seu comentário .... ao leitor/seguidor que diz presente!

domingo, 15 de março de 2009

Açores: O Mar, O Vento, As Pedras II
















Açores, Ilha do Pico...outra vez.
...só mais uma série de fotos!

Adorei esta ilha... onde participei na XIX Corrida de Reis, em S. Mateus.

Fica aqui um abraço a toda a organização e a quem com ela colaborou, proporcionando uma estadia de repleta de eventos culturais, envolvendo assim diversas colectividades e entidades locais.
Trabalho de qualidade!




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domingo, 22 de fevereiro de 2009

Açores: O Mar, O Vento, As Pedras























A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.

A minha casa. . . Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

"A CONCHA" de Vitorino Nemésio
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Açores: o Trancador!















...As baleias, lá bem longe,
flutuam segundos e mergulham naquele mar bonançoso,
mas que, de um momento para o outro, pode pôr-se rijo.
Os botes continuam a deslizar com velocidade.
O objectivo é aproximar-se da baleia, sem ruído.
O trancador (arpoador) de pé, com os pés bem firmes,
vai à proa de arpão em punho.

Monumento aos Caçadores de Baleias (S. Roque do Pico)
Citação da Caça da Baleia, CM Lages do Pico

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Açores: O Canal





!









Horta -Faial - O Peter´s café... âncora segura das notícias do lar, de tantos marinheiros em travessias atlânticas

































Os Ilhéus Deitado e Levantado, entrada do porto da Madalena do Pic
o

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