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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Deambulações...






























Às vezes deambulamos mudos...
como que em “automático”…. desfilam imagens, silhuetas e
conversas, sons difusos, fundos desfocados!
...Deambulações da alma,
desencontros entre o Ser e o Estar!


Sight, in SightXperience 15/11/2009











sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Conheço o vento e o sol



Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
(…)


Pessoa, Fernando (Alberto Caeiro), Guardador de Rebanhos




quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Sou um intruso


Sou pequeno, não sou nada... Sou um intruso, neste delicado reino.
Perante mim, o verde, o azul, os vales, os cumes… está tudo ali! … Contudo nada parece real! 
Perco o meu olhar na descomunal dimensão deste horizonte...
Naquele reino feito de silêncio, escuto o meu coração, numa mistura palpitante, ofegante e extasiado. Reino delicado, este do silêncio, onde o vento e os seus humores variam entre a suave brisa e a tormenta.
Sou pequeno, não sou nada... Sou um intruso, neste delicado reino.
Esmagado por uma grandiosidade exibida neste horizonte, pelo verde irreal dos vales, pelo azul do céu e a imponência da montanha… pela exuberância das encostas floridas.
Sou pequeno, não sou nada... Sou um
 intruso, neste delicado reino.
Este é o delicado reino da majestosa montanha.

Sight







sexta-feira, 28 de março de 2014

Verdadeiramente

Todo o estado de alma é uma passagem.
Isto é, todo o estado de alma é não só representável por uma paisagem, mas verdadeiramente uma paisagem. (...)

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'







sábado, 8 de outubro de 2011

Hoje, a montanha foi minha!

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Ainda a ténue luz do envergonhado dia, mal se fazia sentir e já deixava eu a confortável “hostal”… O ar ainda estava gélido, quando saí, o termómetro do carro marcava 7ºC.
Surpreendi a montanha ainda na sua higiene matinal… as cerradas nuvens, ainda baixas, deixavam um apressado rasto “orvalhado”…aceitei as condições, queria fechar o ciclo pessoal que tinha deixado em aberto no ano anterior, quando não consegui atingir o cume.
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Apresentei-me equipado a rigor. O vento e a “chuva” fustigaram o rosto durante algum tempo. Aos poucos fui percorrendo o trilho sinuoso que me levava ao vale encantado e por sua vez ao pico que era o meu objectivo nesse dia. O pequeno GPS indicava a direcção a seguir e que eu não podia confirmar “à vista”…
Graças ao poder do “astro rei”, a visibilidade foi melhorando, com a subida do tecto de nuvens e mesmo provocando o seu afastamento. Depois de algumas horas no trilho, apenas me cruzei com um pequeno veado, vaquinhas ensonadas e pássaros atrevidos que teimavam em fugir no último instante! A paisagem foi ganhando cor, os verdes nos vales e as encostas semi-cobertas com urzes. Aqui e ali uma pitada de neve tardia, numa ou noutra encosta.
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O dia foi avançando, o vale encantado foi alcançado, transpostos os inúmeros ribeiros. O trilho por vezes transformado em lamaçal ou em traiçoeiros campos de erva alta…por onde correm pequenos regatos escondidos! Envergonhada, a montanha foi-se mostrando cada vez mais, as nuvens foram para longe e pareciam agora algodão branco em contraste com o céu azul! A ascensão final teve o seu início sob um sol radioso e sem vento… enfim, o convite final.
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Durante a ascensão paro inúmeras vezes para recuperar o fôlego… coisas da idade! Aprecio então o que a montanha me proporciona, uma vista paradisíaca, o majestoso silêncio (…só interrompido pela batida forte do meu coração!) … um mundo de tranquilidade. Atingido o cume, ainda me foi permitido desfrutar o frugal almoço, neste local sobranceiro a todo o horizonte. Tempo e visibilidade excelente…ausência completa de vento, acontecimento raro nestas altas paragens. Calmia total.
As nuvens no horizonte (…e o relógio) ditaram o regresso… descida cuidadosa e de novo a travessia do vale encantado. As nuvens que se adensavam atrás de mim, cuidados e cautelas (…e as minhas pernas!) recomendaram uma alteração da rota planeada, optando pelo mesmo trilho para regressar, em vez de contornar a barragem lá longe.
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Subo agora a encosta que tinha descido…não tinha reparado neste desnível! O vento volta a assobiar, felizmente as nuvens de borrasca ainda estão lá longe. Aos poucos, passada atrás de passada, o GPS diz-me que o carro está mais próximo…desta vez consigo confirmar com o relevo da zona, cada vez mais familiar. Finalmente a viatura é avistada…
Cerca de 10h depois de ter partido eis que regresso, dou por mim a constatar que não avistei ninguém… um dia memorável que a montanha me deu a desfrutar a sós!
Discípulo da montanha, guardarei este memorável dia num recanto especial da minha memória vivida. 

Hoje, a montanha foi minha!




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domingo, 6 de fevereiro de 2011

..."Eu já o tinha marcado!"


















O pequeno grupo garrido tinha dispersado em busca de imagens para capturar. Eu tinha ficado ali, encostado, depois da conversa de ocasião com aquela mulher que carregava o seu luto e as compras da loja...
Jocosamente, alguém me dizia, vem aí mais uma das tuas velhinhas!...E vinha… caminhava lentamente na nossa direcção, amparada pela bengala e com um braçado de lenha.
Naquele fim de tarde enregelado recolhia a casa, semblante sorridente, ansiava por falar... mal a distância o permitiu. De onde vínhamos… tinha visto a irmã a falar connosco! Era de poucas falas, a irmã, “por causa da viuvez”… esclareceu!
Peço para tirar umas fotos. “Eu já o tinha marcado, lá em cima!” respondeu  anuindo!…




























sábado, 13 de fevereiro de 2010

Lenta, Descansa


Lenta, descansa a onda que a maré deixa.
Pesada cede. Tudo é sossegado.
Só o que é de homem se ouve.
Cresce a vinda da lua.
Nesta hora, Lídia ou Neera Ou Cloe,
Qualquer de vós me é estranha, que me inclino
Para o segredo dito
Pelo silêncio incerto.
Tomo nas mãos, como caveira, ou chave
De supérfluo sepulcro, o meu destino,
E ignoro o aborreço
Sem coração que o sinta.

"Lenta, Descansa" by Ricardo Reis

domingo, 31 de janeiro de 2010

A voz das imagens...



Recolhidas na Serra D'Arga, estas imagens aguardam uma voz!
Dê voz a estas imagens...  
Aceite este convite!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Reflexo de um sonho



Tenho mais pena dos que sonham o provável, o legítimo e o próximo, do que dos que devaneiam sobre o longínquo e o estranho. Os que sonham grandemente, ou são doidos e acreditam no que sonham e são felizes, ou são devaneadores simples, para quem o devaneio é uma música da alma, que os embala sem lhes dizer nada.
Mas o que sonha o possível tem a possibilidade real da verdadeira desilusão.

Não me pode pesar muito o ter deixado de ser imperador romano, mas pode doer-me o nunca ter sequer falado à costureira que, cerca da nove horas, volta sempre a esquina da direita. O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das contingências do que acontece.
Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

domingo, 15 de março de 2009

Açores: O Mar, O Vento, As Pedras II
















Açores, Ilha do Pico...outra vez.
...só mais uma série de fotos!

Adorei esta ilha... onde participei na XIX Corrida de Reis, em S. Mateus.

Fica aqui um abraço a toda a organização e a quem com ela colaborou, proporcionando uma estadia de repleta de eventos culturais, envolvendo assim diversas colectividades e entidades locais.
Trabalho de qualidade!




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domingo, 22 de fevereiro de 2009

Açores: O Mar, O Vento, As Pedras























A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.

A minha casa. . . Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

"A CONCHA" de Vitorino Nemésio
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